A completa falta de sentido.


Tem dias que eu simplesmente não sei.

É muito mais real quando as luzes se apagam, e eu posso constatar a falta do brilho dentro de mim. Alguém obstruiu minha visão. 

Alguém viu as chaves que trancafiaram minhas certezas? 

Tem dias que fica difícil trocar de faixa. A orquestra que me acomete os ouvidos não me agrada, mas me prendeu toda atenção.

Tem dias que eu simplesmente não faço questão de colocar sentido na ponta dos dedos.

Tem dias que parecem replay.

(Escrevi centenas de palavras que não foram capazes de traduzir.) 

Transferi a tarefa pro tempo, que sabe mais que eu sobre as coisas que eu não quero lembrar. Atribui a ele, em sua eterna capacidade de sarar, essa inquietação.

Deixa com o tempo. Ele sabe melhor que nós que nada dura pra sempre.

Queda livre.



Tem uma porção de coisas na minha cabeça, no ar, nas paredes.
Tudo ao meu redor me conta uma história, me impede de terminar um pensamento, sem engatar outro que me faça flutuar. (É quando eu me sinto a um só passo de tomar uma atitude drástica).

Fecho meus olhos e vou parar na beira do pico mais alto do Universo, recheado de neve e o vento uiva como se pudesse falar comigo.
O irônico é que nos meus melhores sonhos, eu estou nele também. Só que agora é diferente. Não parece sonho.


Ali eu também estou de olhos fechados, respirando fundo e inalando receios.
Sinto tudo dentro de mim acelerar e adrenalina faz meu corpo se equilibrar, ainda que trêmulo.
Estico minhas mãos, uma vez cerradas e quentes. Deixo o vento passar entre meus dedos e tento gritar.
As palavras param nos meus dentes, e voltam pra dentro de mim ainda mais intensas e calorosas. Só que nada se aquece, é tudo tão frio…
Esqueço que estou sozinha, no lugar mais sozinho, como eu sempre quis só pra poder gritar.
Me solto e…


…e acordo.

(Source: tupac, via cityyandcolour)

(via m4rvel0us)

cityyandcolour:

favorite movies: The United States of Leland (2003)

cityyandcolour:

favorite movies: The United States of Leland (2003)

Suficiente.


Não sei porque insisto em tentar bastar. Em me moldar pra ser o suficiente.
Em ser o passatempo ideal, a nota no tom da canção, a palavra perfeita, o sorriso que refaz, o abraço que acolhe…
Não sei porque insisto na tentativa de escrever em mim respostas para outras vidas. - sendo que as muitas perguntas em mim ainda não foram saciadas com respostas.
Não sei porque insisto em querer encontrar meu lugar.
E nem porque insisto em querer ser um lugar para alguém.

A viagem em que embarco, toda vez que viro os olhos para o que está dentro de mim, me afoga.
E o canto onde eu sempre caio já me ensinou: eu não vou mudar.

E eu nunca vou bastar.

(via vicqueen)